
Apresentação
Por Enrique Hernández, curador.
As linhas aéreas poetizam sempre essa idéia: nascemos pra voar. Estamos desprovidos de asas, mas bem adaptados para andar, desenraizar as nossas pernas e partir, nos aventurar, descobrir. Podemos viver a vida toda num espaço limitado, se achamos ali tudo quanto precisamos. Mas quando não há trabalho, falta água, comida, refúgio contra as adversidades do clima, a guerra, a opressão, a perseguição religiosa ou política, é hora de tomar um caminho. Pode ser um vôo cego, uma travessia sem fim. Às vezes é um doce sonho, às vezes um amargo despertar.
Se debatendo com uma língua e uma cultura estranhas, rejeitado muitas vezes pela sua cor, seus costumes e religião, o imigrante é uma peça em constante processo de ajuste. Metamorfose, adaptação e desprendimento, definem a vida do imigrante, um eterno projeto de si.
A humanidade viveu desde sempre enormes movimentos. De um continente ao outro, as diásporas tem se sucedido para criar um mundo cada vez mais multicultural. Desde seus primórdios, o cinema tem retratado esses movimentos, documentando-os e recriando-os, em todas as línguas e humores.
Desde o curta “The immigrant”, feito por Charles Chaplin em 1917, possivelmente o primeiro filme sobre o tema, a figura do imigrante, o forasteiro, o refugiado, entrou no enorme repertório de personagens cinematográficos. Um resumo, talvez o mais dramático, do homem dos nossos séculos mais próximos: o sobrevivente que reconstrói sua vida longe do país natal.
Os documentários que compõem esta mostra transitam por alguns desses temas. A odisséia dos cubanos, jogando-se ao mar, em busca de sonhos, ou a reencontrar seres amados. A luta obstinada das trabalhadoras de Los Angeles, pelos seus direitos mais básicos. A imensa perda cultural e humana na Argentina da Ditadura, devido ao exílio forçoso de seus intelectuais e cientistas. O resumo cósmico da infinita São Paulo, cidade de imigrantes por excelência. A desaparição de algumas fronteiras e a crescente hostilidade de outras. Um mundo onde a identidade cultural a cada passo se questiona, enriquece e reconsidera. Um mundo cada vez mais necessitado de paz, tolerância e aceitação de diferenças. Em suma, um mundo novo.
BALSEROS
Carles Bosch e Josep Maria Domènech. Documentário. 120 Min. Espanha. 2002
COSMÓPOLIS
Camilo Tavares, Otávio Cury e Cói Belluzzo. Documentário. 55 Min. Brasil. 2005
DE UM MURO AO OUTRO. BERLIM-CEUTA / D’UN MUR L’AUTRE – BERLIN-CEUTA
Patric Jean. Documentário. 90 min. França. 2008
A PERDA / LA PÉRDIDA
Enrique Gabriel e Javier Angulo. Documentário. 98 Min. Espanha/Argentina. 2009
FEITO EM LOS ANGELES / MADE IN L.A.
Almudena Carracedo e Robert Bahar. Documentário. 70 Min. Estados Unidos. 2007
TERRAS
Maya Da-Rin. Documentário. 75 Min. Brasil. 2009
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